A pesquisa sobre um escudeiro d’ el-rei, possuidor de bens na região ribatejana, que viveu em Santarém entre c.1320 – 1379, chamado Pero Esteves do Casal, levou-nos ao encontro de outros indivíduos do mesmo patronímico, sendo alguns deles pessoas influentes nas cortes de D. Dinis e D. Afonso IV. Esta influência estender-se-ia à 2.ª dinastia, sobretudo, ao reinado de D. João I, através de um membro desta família que tomou partido pelo Mestre de Avis, vindo a ligar-se com a dos Pereiras, directos descendentes de D. Álvaro Gonçalves, prior do Crato, pelos casamentos respectivos de um filho e de uma filha, de ambos os lados.

Noutro aspecto, embora não menos interessante, achámos o repovoador do Cartaxo cuja história não tocámos, mas a que não podemos deixar de aludir de passagem. Foi ele D. Garcia Martins do Casal, talvez o mais conhecido dos aqui trazidos à memória, pelas acções que desenvolveu na corte dionisina. É na descendência deste, justamente, que se verifica a ligação aos Pereiras, conforme fica dito acima, na descendência de um filho seu, a que voltaremos à frente, chamado Afonso Rodrigues do Casal.

Achámos que a primeira pessoa que usou deste apelido é D. Martim do Casal, fidalgo que viveu no tempo de D. Afonso III. Possuía alguns bens que haviam ficado de seus avós, dos quais lhes havia feito mercê D. Sancho I. Nas Inquirições de D. Afonso III, referem-se-lhe bens em S. João das Caldas de Gomães, que as testemunhas confirmam terem sido doação do Povoador. É desta opinião J. Manso de Lima, que acha que a família era antiga neste reino e, pelo que se colhia das suas alianças, tinha sido ilustre. O genealogista vai ao encontro do que compulsámos e é mais expandido neste assunto do que Felgueiras Gayo, mas, ainda assim, lacunar, acerca da descendência de D. Martim do Casal.[1] Integraremos, então, neste passo, o que se coligiu sobre esta matéria.

Um dos filhos de D. Martim é o acima mencionado, D. Garcia Martins do Casal, vassalo de D. Dinis, por ele incumbido de passar a carta de povoamento do Cartaxo, em 23 de Maio de 1313, conforme outra de confirmação de D. Manuel I[2]. D. Garcia foi casado com uma D. Maria de quem teve Sancha Martins do Casal e Rui Garcia do Casal.[3]

Sancha Garcia do Casal herdou uma quantidade razoável de bens que deixou ao convento de St.ª Clara, onde foi freira, razão por que obteve privilégio de D. Fernando para o poder fazer. [4] Sobre a identidade da mãe, o documento que a refere apenas indica ‘Dona Maria, sua mãe[5].

Felgueiras Gayo escreve que Garcia Martins do Casal (ou Gaspar) fora casado com uma boa Dona e indica-lhes uma filha chamada D. Guiomar Garcia, mulher de Estevão Paes de Paiva, filho de Payo Soares, mas é omisso quanto a Sancha.[6] Mas é provável que seja Garcia e não Gaspar, de quem não achámos qualquer notícia também. Desta nossa opinião comunga Manso de Lima, que contraria o conde D. Pedro quando – diz ele – em algumas partes escrevia Gaspar, mas o patronímico dos filhos bem mostrava que era Garcia. Também no mesmo conde se acha escrito, que casara em Santarém, com uma boa dona, expressão que significava mulher fidalga.[7]

Do irmão de Sancha, Rui Garcia do Casal, é que descende o ramo da família dos Afonsos do Casal, na linhagem do filho dele, Afonso Roiz do Casal, através de um neto, chamado Pedro Afonso do Casal. Afirma Manso de Lima, baseado no conde D. Pedro, que Rui Garcia do Casal fora bom cavaleiro e de grande obra, sem adiantar mais do que isto. Estão de acordo ambos linhagistas quanto a Afonso Roiz do Casal ter contraído matrimónio com D. Teresa Gonçalves, filha de Gonçalo Martins da Fonseca e neta de Estêvão Martins Coutinho. Identifica o genealogista Manso de Lima a mãe de D. Teresa Gonçalves, D. Maria Garcia, como sendo a primeira mulher do pai, Gonçalo Martins da Fonseca. Deste casamento nasceram também Pedro Garcia do Casal e Maria Afonso do Casal.[8]

Foi Pedro Afonso do Casal, filho de Afonso Roiz do Casal, como fica dito, que casou com D. Inês Pereira, filha de Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Crato, matéria de que trata Felgueiras Gayo no tt.º dos Pereiras.[9] Omite no entanto, tal como Manso de Lima, a filiação de Garcia Afonso do Casal, que tudo indica era irmão de Pedro Afonso e de D. Maria Afonso do Casal. Garcia Afonso do Casal foi mordomo de D. Martim Anes de Soverosa (marido da ilustre D. Vataça, aia da rainha santa), de quem foi testamenteiro, no ano de 1295, ano em que morreu D. Martim Anes, na Guarda[10]. D. Maria Afonso do Casal, por sua vez, foi mulher de Rodrigo Álvares Pereira, de quem ambos os linhagistas tratam no tt.º dos Pereiras, nas respectivas obras.[11]

D. Martim do Casal teve mais de sua mulher, além daqueles, a Rui Martins do Casal, que foi muito próximo de D. Afonso IV cujo partido tomou, sendo este ainda infante, nas lutas contra seu pai e seu irmão bastardo[12]. Teve duas filhas, as quais legitimou em datas diferentes e de quem há notícia na Monarquia Lusitana e na chancelaria de D. Dinis. Chamavam-se Silvestrina e Inês Rodrigues. De Inês sabe-se que a mãe foi Aldonça Martins, filha de Martim Afonso de Resende, com carta de legitimação, passada no Sabugal, andando o rei por comarca de Ribacoa… tratando das pazes com Castela, em 12 de Abril do ano de 1300.[13]

De Silvestrina, a mesma fonte diz que ela foi legitimada por carta de a 5 de Fevereiro do ano de 1310, estando o rei em Santarém, como filha de Rui Martins do Casal, sem identificar a mãe.[14] Contudo, Felgueiras Gayo vai mais longe e menciona que ambas filhas de Rui Martins do Casal foram nascidas da mesma mãe, a dita Aldonça Martins, que foi abadessa de Tarouquela, mas por desconhecimento, talvez, omite o nome da filha Inês, embora indique que ela foi mulher de Afonso Fernandes de Fafe, filho de Fernão Fafes, cfr. tt.º Fafes. Quanto a Silvestrina (a quem chama Salustina) diz que ela casou com Gil Vasques Peixoto, filho de Vasco Peixoto.[15]

Juntamente com Rui Martins do Casal é testemunha presente em Santarém, entre outros, Gonçalo Martins do Casal, omitido pelos ditos genealogistas, embora tudo leve a crer que é um filho de D. Martim do Casal e irmão dos atrás mencionados. Estava-se no ano de 1289 e o rei com o seu conselho tratava da questão do repovoamento da Lourinhã e de Mafra.[16]

Outro filho ainda de D. Martim e irmão dos referidos é Fernão Martins do Casal, sobre quem Manso de Lima tem reservas, mas que sabemos ter sido testemunha das partilhas entre D. Vataça e a sogra, D. Constança, viúva de D. João Gil de Soverosa, quando morreu D. Martim Anes.[17]

Também filho de D. Martim do Casal é João Martins do Casal[18], pai de Aldonça e de Constança Eanes, ambas freiras em St.ª Clara, filhas que ele teve com D. Estevainha Peres. Esta, depois de viúva dele, casou em 2.ªs núpcias com Vasco Lourenço da Tourinha, conforme se entende da leitura do documento, donde se retira esta informação.[19]

Tem dúvidas Felgueiras Gayo quanto à relação de parentesco entre alguns dos membros de apelido Casal que compulsou. É assim, no que toca ao patriarca da família, Martim do Casal, que deixa solto em §4, ignorando se era dos mesmos que vimos referindo. Porém, indica-lhe a esposa, como sendo D. Gracia Fernandes de Portugal, filha de Pedro Fernandes de Portugal cg.

Ora, este particular é a ponta que lhe falta para completar o raciocínio aqui desenvolvido, se repararmos no que diz o Livro Velho das Linhagens[20]. Ali, confirma-se este dado, ao dizer-se que ‘outra filha de Pero ou Pedro Fernandes de Portugal houvera nome D. Gracia Fernandes Portugal de Barregã (sic) e se via casada com Martim do Casal e houveram filhos e filhas’. Vai neste sentido Manso de Lima, embora refira que nem o conde nem nenhum dos seus comentadores lhe nomeiam filhos, mas que José Freire de Monterroio indicava aqueles que reporta e nós confirmamos.

É de interpretação difícil as afinidades linhagística descritas no Livro Velho, do qual tentámos extrair, ainda assim, mais alguma informação. Não a achámos relativamente a Martim do Casal, como em parte, fica dito. Contudo, se entendemos bem, há fonte bastante no que toca à família da esposa. Assim, a avó paterna da mulher de Martim do Casal chamava-se Xpina Soares e era filha de D. Sancha Henriques, e de D. Pai Romeu ‘o Pequeno’, sendo o pai de Xpina Soares, filho de D. João Soares de Panha e de D. Teresa Anes de Vizela, ascendências que remetem para os primórdios da fundação.[21]

Manso de Lima apanhou esta vereda, quando repete o que diz o marquês de Montebello, nas notas que este fez ao livro do conde D. Pedro, nas quais afirma que esta família tivera o seu solar nas terras de Valdevez, junto à Vila de Arcos, adonde chamam Casal Sueiro, que primeiro se chamava Casal do Sueiro e que era tão grande que as terras dele se repartiam depois em quintas. Que desta partilha lograra D. Pedro Afonso do Casal, porque, depois, fora senhor dele Pedro Álvares de Castro, seu descendente e 3.º avô do dito marquês.

A isto segue-se a opinião que acima expressamos e na qual o genealogista se conforma à ideia de que Martim do Casal era efectivamente o 1.º que usava daquele apelido, que vivera em tempo de D. Afonso III e que usufruíra das mercês que lhe vinham de seus avós, doadas por D. Sancho I e confirmadas pelas Inquirições de D. Afonso IV, sitos na freguesia de S. João das Caldas de Gomães, de que era sua honra aquele casal, sustentado em testemunhas inquiridas, então.

Aparentemente esgota-se nele a notícia sobre D. Martim do Casal no Livro Velho das Linhagens, não indo além do século XIII, época da compilação do códice. Não vêm ali indicados, por isso, os nomes dos filhos que Martim do Casal teve com a esposa, mas genericamente referido, apenas filhos e filhas.

Quanto à ascendência de D. Martim do Casal inquere noutro lugar um artigo que versa o topónimo Gomães. Confirma-se ali o que escreve Manso de Lima, de ter sido da família daquele D. Martim e depois seu, o casal que dava pelo nome de S. João das Caldas de Gomães, onde se discorre sobre a localização do mesmo no termo de Guimarães.

Nos inquéritos de 1220/1258 nenhum problema se levanta na perfilhação do seu nome: claramente, Sancti Johannis de Calais, também nenhum perigo de a tomar pela conhecida Gominhães. Lacónicos, os primeiros, permitem apenas concluir que aí possuíam propriedades a própria Igreja da freguesia e o mosteiro de Vilarinho. Na paisagem cultivada, searas – algumas de vinha. No apurar de Afonso III, a igreja era do rei e de herdadores, contabilizando-se quinze casais e uma quinta. No cimo da hierarquia possidente, Martim do Casal. Entre 1288 e 1290, já algo se alterara no nome da freguesia: Sam Johane de Caldas de Gomiaaes a propósito de que se apura ser honra do citado Martim do Casal. Por o saberem "de ouvido" confirmam as testemunhas perguntadas a dádiva feita por D. Sancho "O Velho", a sua linhagem. Dois casais no Vilar que haviam sido honrados passarão, doravante, à escala obrigatória do mordomo. [22]

Ficava, todavia, a dúvida sobre quem era Martim do Casal e o por quê da mudança da toponímia em S. João de Gominhães.[23]

Quanto à descendência directa feminina de D. Martim, não há notícia nos citados linhagistas. Também não descobrimos nenhuma a não ser provavelmente uma Catelina Martins, mãe de Pero Esteves do Casal, de cuja existência sabemos, numa nota de tabelião de Santarém, onde ela aparece mencionada, sem filiação explícita nem o apelido Casal, mas que julgamos ser da família paterna, em virtude deste ter passado ao filho dela e não ser este o do marido.[24]

Teríamos, deste modo, Catelina Martins irmã dos Martins do Casal, florescentes em Santarém no reinado de D. Dinis e de D. Afonso IV, nomeadamente, Garcia Martins do Casal, o mediador do repovoamento do Cartaxo, por carta de D. Dinis, acima referida. Estará correcta a linguagem do autor do Livro Velho das Linhagens, quando fala de Martim do Casal no presente, sendo a sua prole gente d’algo, que viria a circular na esfera do poder, como bem demonstram as notícias que deixamos acima.[25]

É de salientar que o grau de parentesco de Catelina Martins e estes Casais os torna tios em 1.º grau dos outros dois filhos dela, conhecidos, além de Pero Esteves do Casal, chamados Gonçalo Martins e Martim Esteves do Casal, sendo Pero e Gonçalo designados por escudeiros d’ el-rei, enquanto Martim é identificado como cónego da igreja de St.º Estêvão de Santarém, conforme documentação resultante da pesquisa levada a cabo e vem publicada no livro sobre Vila de Rei.[26]

Este parentesco ganha foros de verosimilhança, na medida em que fica demonstrado, que os bens de raiz, deixados por morte de Pero Esteves do Casal, a metade deles, situavam-se no Cartaxo, tendo cabido a uma das filhas, chamada Teresa Peres do Casal, o grosso dos ditos bens, embora a outra filha dele, Constança, tenha sido também herdada com bens de raiz ali, apesar do grosso da partilha dela ser em Vila de Rei, conforme escritura, em Santarém, no ano de 1379, assim:

…que a dita partição dos ditos bens de Vila de Rei e de Val de Cavalos e do dito moinho de fondo com suas pertenças e das ditas courelas da adema com a dita casa e vinha e horta do Cartaxo fique com a dita Constança e que ela e todos seus sucessores hajam os ditos bens conteúdos na dita partição com todas suas entradas e saídas e direitos e pertenças por seus próprios e façam deles e em eles todo aquilo que lhes prouver como de sua própria possessão…(…) …por esta partição fique com a dita Tareija e haja para si a dita quinta do moinho da Fonte com toda a louça de ter vinho que ora aí som, com os ditos moinhos da Fonte e vinhas e lagar e bens do Arridel com a dita vinha de Pero Caramos e conchouso da vila com todas suas entradas e saídas e direitos e pertenças que os haja ela e todos seus sucessores por seus próprios e faça deles e em eles todo aquilo que lhes prouver como de sua própria possessão as quais partições houverom por boas e iguais[27]

Constança, a outra filha de Pero Esteves do Casal, foi freira em St.ª Clara de Santarém e já nesta condição havia de aforar os bens, que possuía no Cartaxo, em seu nome, das mais religiosas e da abadessa do dito mosteiro o tio Gonçalo Esteves do Casal, seu procurador neste e sempre onde há tratos relativos àquela sobrinha, isto em 1380, conforme nota celebrada em Santarém.

…Saibam todos que eu Gonçalo Esteves do Casal escudeiro morador em Santarém como tutor que sou de Constança minha sobrinha filha de Pero Esteves do Casal meu irmão já passado arrendo a vós Pero Fernandes morador no Cartaxo termo da dita vila todas as casas da estalagem que a dita minha sobrinha há na dita aldeia do Cartaxo desde dia de S. João Baptista primeiro seguinte até seis anos cumpridos com tal preito e condição que vós moredes a dita estalagem e casas o dito tempo e mantenhades a dita estalagem e façades à vossa custa uma alpendrada que saia de estar ante o portal das ditas casas tamanha como soía de ser e que desde aqui adiante se adubem as ditas casas e estalagem à custa do aluguer daquilo que lhes cumprir[28]

Conclui-se, portanto, que os bens herdados, pelas netas de Catelina Martins, por morte do pai delas, no Cartaxo e seu termo, tinham vindo desta avó paterna, que os partilhava com outros membros da família, certamente com o próprio Garcia, o mediador do rei na ordem de repovoamento daquela terra. A menos que em vez de irmão, Garcia fosse pai de Catelina, probabilidade que afastamos, em virtude do patronímico de ambos os fazer orogenia de D. Martim do Casal.

Tais bens herdados pelas netas de Catelina vinham, pelo menos em parte, da herança julgada favorável ao pai das ditas jovens Teresa e Constança, no ano de 1372. Mas em 1345, já temos notícia de que Pero Esteves do Casal tinha obtido sobre Lourenço Esteves sentença que obrigava este a pagar-lhe a renda dos moinhos onde morava, no Cartaxo, na ‘quinta de Val de Púcaros’. Esta quinta é identificada noutro códice, com anotação do século XVII, como sendo a ‘quinta do St.º Cristo no Cartaxo’.[29]

Também no referido campo do Arridel, ficava uma ‘herdade de pão’ de cuja compra trata a escritura celebrada a 20.8.1375, quatro anos antes da morte de Pero Esteves do Casal, pela qual ele a adquire a Estêvão Domingues Peras e Joane Esteves Barrão. Nesta escritura reafirma-se a identidade do comprador, como ‘escudeiro, morador em Santarém’.[30]

Depois do falecimento de Pero Esteves do Casal, ainda o irmão dele, Gonçalo, acedia ao recibo de quitação (8.1.1378), pelo pagamento de ‘um moio de pão meado’ da renda ‘de uns moinhos’ sitos na ribeira do Cartaxo, pertencentes a S. João de Alporão, dos quais Pero Esteves do Casal trazia de renda a metade.[31]

O apelido Casal não se acaba no século XIV, visto aparecer ainda noutra documentação dispersa, nomeadamente da Torre do Tombo, estendendo-se ao período que vai até ao século XVI, em indivíduos cuja filiação se desconhece, dos quais D. Gaspar do Casal, bispo-conde de Coimbra, figura ilustre, que mereceu, entre outros, a atenção de Anselmo Braamcamp Freire.[32] No entanto, não vai o historiador ao ponto de indagar a sua ascendência nem nós, por se afastar da matéria fulcral, centrada nos indivíduos de apelido Casal na Santarém dos séculos XIII e XIV.[33]

 

[1] Famílias de Portugal e Nobiliário de Famílias de Portugal, títulos respectivos.

[2] ANTT. Chancelaria de D. Manuel I, Liv.º 40, fl. 8v. Este documento não foi objecto de análise comparativa com outro de idêntico teor, datado de 21.3.1312, ambos da chancelaria de D. Dinis e igualmente mandado passar por meio de Garcia Martins do Casal, por não vir a propósito do assunto aqui trazido. É de notar que este último tem sido considerado Carta Foral do Cartaxo.

[3] Arquivo distrital de Santarém, Convento de St.ª Clara, Gaveta 4, n.º 13 e Gaveta 5, n.º 6. Consta do sumário do primeiro destes documentos, tratar-se de avença e amigável composição entre Sancha Garcia, religiosa do convento de St.ª Clara e seu irmão, Rui Garcia, relativamente a todas as demandas havidas entre ambos. Com a mesma data e junto acha-se a doação de Sancha Garcia, filha de Garcia Martins do Casal, a seu tio João Martins de todos os bens e herdamentos, que herdasse de seu pai, com a condição de estes serem vendidos, caso não pudesse pagar a seu irmão, Rui Garcia, as 1000 libras que lhe devia, até ao dia de St.ª Maria de Agosto e deste modo pagar a sua dívida. Datados de 5 de Março de 1324 e redigido em Santarém. O conteúdo destes dois documentos é a chave para esclarecer, quanto à genealogia aqui demonstrada.

[4] Arquivo distrital de Santarém, Convento de St.ª Clara, Gaveta 1, n.º 6, datado de 1 de Julho de 1368.

[5] Arquivo distrital de Santarém, idem, Gaveta 5, n.º 6.

[6] Nobiliário de Famílias de Portugal, tt.º de Paivas

[7] Manso de Lima, idem, ibidem.

[8] Manso de Lima menciona ainda um outro filho, chamado também Rui Garcia do Casal, do qual admite nada mais saber e de quem nós não achámos nada também.

[9] Felgueiras Gayo, ob. cit. Manso de Lima acrescenta ter servido Pedro Afonso do Casal no exército que mandava o condestável, D. Nuno Álvares Pereira e dele se contarem muitas acções de bravura (nomeadamente na Crónica do Condestável e na Vida do mesmo Condestável de frei Domingos Teixeira). Possuía bens em Porto de Mós e em Rio Maior e que recebera a quinta do Casal, no termo de Rates, doação que lhe fez D. João I, que havia sido de seu avô materno D. Gonçalo Roiz da Fonseca. Fê-lo, ainda, do conselho de Castro d’ Aire e senhor do lugar do Paço, no termo de Sever.  

[10] Monarquia Lusitana, P. V, p. 234b.

[11] Ou seja, D. Maria Afonso e o irmão, Pedro Afonso do Casal, eram concunhados de D. Nuno Álvares Pereira, visto terem casado, respectivamente, com um irmão e uma irmã dele, sendo todos filhos de D. Álvaro Gonçalo Pereira.

[12] Monarquia Lusitana, P. VI, p. 372a.

[13] Idem, P. V, p. 285v-a.

[14] Idem, P. VI, p. 147b.

[15] Gayo, ob.cit., tt.º Cazal. Manso de Lima chama Celestina a Silvestrina, embora confirme no resto Felgueiras Gayo. No entanto, acrescenta o nome da mãe de D. Aldonça Martins, como sendo D. Constância Roiz, cfr. tt.º de Resendes. Concorda que D. Aldonça Roiz fora abadessa de Tarouca, deixando a hipótese em aberto de ela o ter sido depois do nascimento das filhas, embora não deixe de aceitar como possível o contrário.

[16] Monarquia Lusitana, P. V, p. 144b.

[17] Idem, P. V, p. 234v-a.

[18] Referido por Manso de Lima, com reservas.

[19] “Composição entre o convento de St.ª Clara e Vasco Lourenço da Tourinha, termo de Torres Vedras, relativamente a umas demandas que traziam sobre os bens que ficaram por morte de João Martins do Casal, pai de Aldonça Eanes e de Constança Eanes do Casal, religiosas do dito convento e uma vez que o mesmo Vasco Lourenço tinha casado com a mãe destas últimas, Estevainha Esteves”. Informação que remete para 10.1.1366. Arquivo distrital de Santarém, Convento de St.ª Clara, Gaveta 6, n.º 4.

[20] Cf. Traslado de D. António Caetano de Sousa, in T. I das Provas Genealógicas da Casa Real Portuguesa, Of. Silviana, 1739.

[21] Xpina que deve ser lido como abreviatura de Cristina, cf. nota à margem do texto original, transcrito por D. António Caetano de Sousa.

[22] Maria da Conceição Falcão Ferreira, As Quintas "de Gominhães" e a Coexistência Medieval de um Topónimo, artigo web.

[23] Remete a autora para a recente investigação de José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, em torno da nobreza dionisina, onde se poderia encontrar a resposta para as questões que ficavam em aberto.

[24] Execução das partilhas dos bens que deixou Estêvão Anes ‘o Trinqueta’, marido de Catelina Martins ‘onde chamam o Arridel no Cartaxo’ numa contenda com os co-herdeiros daquele, favorável a Pero Esteves do Casal, por sentença de 26 de Novembro de 1372. ANTT. Convento de Almoster, Cx. 11, Mç. 6, n.º 218.

[25] Garcia Martins do Casal, entre outras tarefas de que terá sido encarregado no tempo de D. Dinis, além de ter sido quem passou a carta de repovoamento do Cartaxo, a mandado daquele rei, foi o enviado particular de D. Dinis, junto da corte de Castela, para tratar dos negócios do empréstimo do rei português ao rei D. Fernando, seu genro, por causa do cerco a Algeciras, isto pelos anos de 1310/1311. Monarquia Lusitana, T. VI, p. 159. De notar, também, que o mordomo da rainha D. Beatriz, mãe de D. Dinis, se chamava Garcia Martins, não podendo afirmar-se com certeza absoluta, se se trata ou não do repovoador do Cartaxo, embora tudo indique que sim. Idem, T. V, p. 151-a.

[26] Ver da autora ob. citada. De salientar que os topónimos que dão título ao livro se situam no concelho da Chamusca, sendo Vila de Rei, ainda hoje, uma propriedade particular.

[27] AN/TT. Convento de St.ª Clara de Santarém, Mç.5, nºs 176-177. Transcrição a partir de um traslado do século XVIII.

[28] ANTT. Convento de St.ª Clara de Santarém, Mç. 5, n.º 186.

[29] ANTT. Convento de Almoster, Cx. 11, Mç. 6, n.º 213.

[30] ANTT. Idem, ibidem, documento solto.

[31] ANTT. Convento de Santa Clara, M.11, n.º 742.

[32] 5.º Conde de Arganil, bispo de Coimbra, Funchal e Leiria, f. 9.8.1584 e foi sepultado na igreja de St.º Agostinho de Leiria. Brasões da sala de Sintra, Vol. III, pp. 431-432.

[33] Diogo Rangel de Macedo no Nobiliário das Famílias de Portugal obra cuja cópia da mão de Manuel de Sousa da Silva consultámos na BNP diverge substancialmente dos genealogistas aqui citados incluindo do Livro Velho de Linhagens. Desde logo, ao admitir que a 1.ª pessoa deste apelido é Afonso do Casal e não Martim do Casal como afirma o LVL, sendo este, para Rangel de Macedo, um filho do anterior. Assim, Afonso do Casal “foi um cavaleiro do tempo dos reis D. Afonso II e D. Sancho II”, tendo, segundo lhe parece, tomado aquele apelido “por morar na quinta do Casal, junto da vila de Rates”. Dá-lhe a posse – como referem os outros linhagistas – da “honra de Gomães (Gominhães)” doação feita por “D. Sancho I a seu pai ou avô”, junto às Caldas de Vizela, no termo de Guimarães. Afirma que fora casado (não indica o nome da mulher) e que do casamento tivera dois filhos: Martim do Casal e Garcia Afonso do Casal, que também casaram, sem contudo, fazer menção dos nomes das respectivas esposas. Garcia é que, na sua opinião, foi o testamenteiro de D. Martim Anes de Soverosa, no ano de 1295. Teve um filho, Rui Garcia do Casal, por sua vez, pai de D. Afonso Rodrigues do Casal, em cuja descendência (pelos filhos D. Maria Afonso do Casal e D. Pedro Afonso do Casal) se verificou a ligação aos Pereiras, conforme acima. Não abrimos aqui nenhuma polémica, mas cremos ser importante não descurar as pistas fornecidas por Diogo Rangel de Macedo, sobretudo quando trata da descendência de Pedro Afonso do Casal e da irmã, D. Maria Afonso do Casal. É sobretudo muito informativo no que toca a Pedro Afonso do Casal, pelos cargos exercidos no tempo de D. Fernando e depois por D. João I cujo partido seguiu e lhe confirmou vários bens, alguns provindos do legado familiar, aqui referido.