A partir de uma memória existente na Torre do Tombo, a autora reconstitui o tempo e as circunstâncias histórico-políticas de Fernão Roiz Penso, homem de negócios muito influente na corte de D. João IV, preso pela Inquisição.

O documento fala da sua vivência nos anos subsequentes à Restauração e nos reinados seguintes. A reconstituição aqui apresentada centra-se num período abrangido, entre 1672 e 1684.

Aborda as relações de poder entre a coroa e a igreja naquele período, em cujos laços o autor do manuscrito acabou por cair, visto ser cristão-novo, nascido em Castela durante a união dinástica e das suas relações particulares, onde se incluem vultos da cultura e da sociedade coevas.

Evidencia propositadamente, os aspectos burocráticos do tribunal do Santo Ofício, para expor o lado político-ideológico da sua acção, contrastante com a atitude esperada numa instituição de carácter confessional, desenvolvido com uma evidente preocupação sobre a intolerância.