Alice Lázaro oferece neste seu livro a oportunidade ao leitor de conhecer de perto – através da epopeica narrativa das viagens e feitos do protagonista, navegador do século XVI – a evocação de um tempo e uma vida, sombra que podia ser da de muitos outros, portugueses, como Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, Pedro Álvares Cabral, Bartolomeu Dias, D. Francisco de Almeida ou a de incontáveis e esquecidos, outros, heróis quinhentistas, através de uma escrita de transbordante e inegável lirismo.

Parte a autora da autobiografia apócrifa de António Correia Barém, recuperada das crónicas da época, para nos guiar pelas remotas paragens por onde andou este nobre-fidalgo e cavaleiro, que alcançou o apelido do seu brasão d’armas nas areias do deserto arábico à entrada do golfo pérsico.

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No tempo e no modo em que assim navegámos, passou-se um mês e na duração desta jornada é que pude sorver verdadeiramente o amor pelo mar, amor que me ficou cá dentro e nunca mais me largou. Esta paixão – porque submete a ponto de destruir quem se lhe entrega – há-de ser antiga em nós e não sei se alguma vez nos sairá das entranhas! Digo-o com o sentimento de quem teme amá-lo e perdê-lo, ao mar, neste navegar só nosso, que temos dele.

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Índice do livro

Abertura
Dedicatória
Completas
Amanhecer
Partida
Arribada
A Viagem
Novas terras e novos céus
Mar sem fim
Luzes e Sombras
Laudes
Torna-viagem
Post-scriptum
Posfácio - Notas biográficas

Nota do Professor Loryel Rocha, responsável pelo IMUB (Instituto Mukharajj Brasilan), por ocasião do pré-lançamento no Brasil do livro Acima da Gente o Céu.

"A Equipe IMUB, com imensa Honra e Satisfação, traz para o público brasileiro a obra da erudita e invulgar historiadora portuguesa ALICE LÁZARO: Acima da Gente o Céu. Nosso compromisso editorial consiste em editar, divulgar e disponibilizar toda a vasta e elaborada obra de ALICE LÁZARO, iniciando pelo seu último lançamento em Portugal, que ora trazemos à lume.

Nossa decisão conjunta de iniciar este percurso de modo "invertido" dá-se em razão de ser esta uma obra que faculta uma visão singular sobre o período dos Descobrimentos Marítimos, com especial destaque para as ações da Coroa Portuguesa no Oriente, onde o protagonista António Correia Barém foi personagem basilar nas conquistas, demarcações das fronteiras e contactos consolidados entre o Oriente e o Ocidente. E em que pese o lapidar papel da Coroa Portuguesa face à expansão da Fé cristã pelo mundo, ainda mais necessário se torna adentrar os meandros dos passos da Coroa Portuguesa no Oriente e, para compreendê-la é preciso estudar as personagens que nos facultaram tais conquistas. António Correia Barém, navegador do século XVI, que estava na armada de Pedro Álvares Cabral em 1500 quando era ainda um menino, faz frente à um Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, Bartolomeu Dias, Pedro Álvares Cabral, D. Francisco de Almeida e tantos outros incontáveis homens honrados incensados ou esquecidos que ajudaram a ampliar as fronteiras do mundo alterando de tal modo a geopolítica planetária que se pode afirmar, sem medo de errar, que há dois mundos conhecidos: um, antes dos Descobrimentos Marítimos, outro, pós Descobrimentos Marítimos.

Hoje, fazendo um paralelo, os eruditos afirmam que a tecnologia envolvida na empreitada dos Descobrimentos era superior a que a NASA tinha na altura do pouso do homem na Lua. A Coroa Portuguesa, legitimada pelo Padroado, assumiu para si um carisma missional materializado na expansão da Fé e do Império, tão maravilhosamente decantados por Camões. Os Descobrimentos Marítimos, bem ao contrário do que insiste a historiografia nacional, não se reduziu a uma mera questão de "secos e molhados", ou seja, não restringiu-se ao mero comércio por necessidade de rendas vultuosas movido pela cobiça. Está, ao contrário, muito longe disso. Portugal foi o único Império de Cultura do Mundo. Foi o maior Império Cristão do mundo. A amplitude desse testemunho da Coroa Portuguesa aos poucos vai sendo revelada, e ALICE LÁZARO contribui com mais um degrau dessa escalada, sem a pretenção fugaz de repor a história nem de reescreve-la. Move-a o senso de correção e da procura pela verdade histórica, isentos das ideologias que todo pesquisador deveria, em tese, praticar e cultivar como parte de sua trajetória.

O Brasil pouco conhece Portugal em razão de um projeto ideológico de poder que tomou conta da Nação desde 1822 inviabilizando e adulterando fontes e documentos. E é preciso conhecê-lo, pois, o Brasil, enquanto Nação, é uma construção e um desígnio sagrado assumido pela Coroa Portuguesa. Nossa origem é portuguesa e assim foi durante 322 anos onde pertencemos a uma mesma Coroa, como Província, jamais como colónia. Urge conhecer-nos a nós mesmos, com nossos defeitos e nossas virtudes, pois o passado que temos é inalterável dentro da verdade que contempla e da origem que nutre.

A obra de ALICE LÁZARO nos faz embarcar nas naus da iniciação para empreender a travessia do Oceano da Alma, modelo dos Oceanos do Mundo, para dilatar Fé e Império. A força, a autoridade e a beleza de ACIMA DA GENTE O CÉU pertencem à justiça do Verbo divino que se descortina por detrás das ações da Coroa Portuguesa e a justiça deste Verbo é tão inflexível quanto a Verdade, pois tanto o Verdadeiro quanto o Bem são imutáveis.

ACIMA DA GENTE O CÉU, onde Deus Habita e Vela por todos nós; embaixo, a vida navegada pela naus do caráter e a cada onda enfrentada uma translação do pensamento em direção ao único Porto seguro onde a travessia da Alma aporta no fim de sua jornada. Lembrando o Poeta: Navegar é preciso, viver não é preciso."

https://youtu.be/0L5FPW-F-xw